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Ofício/pALCA/Nº005/2004
De: pALCA
Assunto:
Reativação da Casa da Cultura.
Para: ________________________________________________________________

Vitória, 17 de novembro de 2004


S O L I C I T A Ç Ã O


Através deste documento vimos solicitar apoio para a continuidade dos trabalhos que vêm sendo realizados na Casa da Cultura, rua Governador José Sete, s/nº, Centro de Vitória. Este espaço, que inicialmente tinha como proposta ser um lugar de produção e difusão cultural, hoje se encontra em condições precárias de manutenção. Um dos maiores problemas encontrados pelo nosso grupo foi a falta de energia elétrica, pois consta em débito uma conta de R$1.126,00 com a ESCELSA, em dez/2003. É no sentido de sanar este problema emergencial que vimos em busca de colaboradores. A quantia a ser doada deve ser estudada por esta entidade. Além de buscar apoio com possíveis parceiros do projeto, realizaremos um bazar na comunidade do Forte São João dia 11/12/04, uma rifa e cada grupo participante do projeto doará cinqüenta reais.

Com o desejo de dar continuidade às atividades e certos da colaboração desta entidade, deixamos nossas saudações culturais

Em anexo: - Conta de Energia

- Projeto PALCA de Gestão do Espaço.


Grupo Gestor da Casa da Cultura:

Fabio Araújo - fabioaraujo@bol.com.br- 9954 6622

Fabíola Melca – fabiolamelca@ig.com.br-33914940/8809 0938

Paulo Henrique – 9964 4819

Letícia Bianca – 9925 2597


Maiores informações: www.anarkopagina.org/palca




“Um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar”

“Porque me organizando posso desorganizar
desorganizando posso me organizar”
Chico Science & Nação Zumbi


Apresentação

A história do Brasil é marcada por uma deficiência cívica, pela negação dos direitos e pelo não reconhecimento do outro na esfera pública. Aliás, o espaço público aqui sempre foi tratado como extensão do espaço privado. Historicamente, os grupos subalternos tiveram sua participação política negada e toda vez que ousaram ou ousam se rebelar são duramente reprimidos e criminalizados.

Um dos desafios de todos aqueles que acreditam que o estado atual de opressão, de injustiça e de dominação deve ser transformado e que um outro mundo é possível, deve ser a criação de novos espaços públicos onde haja lugar para o conflito e para as diferenças. A sociedade brasileira quando reconhece o conflito é no sentido de exorcizar o mal, de extirpar o “câncer social”, simbolizado e materializado nas várias figuras dos “inimigos internos”: o escravo, os “índios selvagens”, os comunistas, as bichas, os maconheiros e demais drogados, os Sem Terra, os Sem Teto, os Sem Amor e os Sem Tudo.

Áreas da Casa da Cultura antes e depois da limpeza realizada pela pALCA, em setembro de 2004.É nesse sentido que um grupo de pessoas e de entidades vem se organizando coletivamente para ocupar e reativar o espaço da Casa da Cultura, no centro de Vitória, que se encontra ocioso e abandonado. Porque, como dizia Chico Science & Nação Zumbi, nos organizando nós podemos desorganizar e desorganizando nós podemos organizar.

Áreas da Casa da Cultura antes e depois da limpeza realizada pela pALCA, em setembro de 2004.

Histórico da Casa da Cultura

A Casa da Cultura situada na rua Governador José Sete, s/n, Centro de Vitória, foi construída pelo governo federal. Inicialmente era a sede do restaurante universitário e no final da década de 70 iniciou seus trabalhos (1979/80). Foi mantida financeiramente através de apoio logístico e humano do Departamento estadual de Cultura- DEC e pela Universidade Federal do Espírito santo. Os Grupos que utilizavam o espaço eram: Grupo Tarahumaras, a Federação de Cine-Clubes, Sindicato dos Artistas Plásticos, Sindicatos dos Artistas, a FECAT- Federação Capixaba de Teatro, a Associação dos Escritores e a Associação de Teatro de Bonecos.



Fóruns sobre a utilização da Casa da Cultura promovido pela pALCA em setembro e outubro de 2004.




Oficina realizada durante o Forum Social Capixaba, 2004.

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Existia um acordo entre a UFES e o Governo do estado para uma troca de patrimônio físico envolvendo o espaço da Casa da Cultura que não foi formalizado. Tal problema, aliado a uma série de outros fatores, como a terceirização do espaço para tentar uma fonte diferenciada de recursos que não fossem somente os das esferas federal e estadual, constituíram-se em fatores agravantes que culminaram com o fechamento do espaço.



Proposta atual de ocupação ou: romper a gaiola de aço








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Atualmente um grupo de pessoas vem se reunindo e desenvolvendo, na medida em que a infra-estrutura tem permitido, trabalhos no espaço da Casa da Cultura além da divulgação da necessidade de se ocupar os espaços, como a oficina Os Espaços Culturais realizado no Fórum Social Capixaba (UFES -2004). Foram realizados dois fóruns de grupos autônomos (setembro e outubro de 2004) e, partir daí, formaram-se grupos de afinidade que vem agregando pessoas conforme seus interesses temáticos e de pesquisa. Os grupos formados até agora são os seguintes: Grupo de Cultura Brasileira, Grupo de Teatro, Grupo de Arte-Restauro-Reciclagem, Grupo Cativeiro de Capoeira, Grupo Anarco-punk, entre outros que estão se formando.


Romper a gaiola de aço que privatiza e restringe os espaços e o fazer cultural a determinados grupos e torná-los acessíveis a quem de direito e de necessidade, eis o nosso objetivo. A proposta inclui ainda a autogestão do espaço por aqueles e aquelas pessoas e/ou grupos que estejam vinculados e fazendo uso do espaço.



pALCA: rua Governador José Sete, s/n, Casa da Cultura, Centro, Vitória-ES. 9964 4819, www.anarkopagina.org/palca