|
|
 |
 |
Carta de
Princípios
da pALCA
(Pau
na ALCA e Projeto Área
Livre de Cultura e Arte)
|
“Só
erram aquelas(es) que arriscam. Só acertam aquelas(es) que
arriscaram ou tiveram virtudes de reconhecerem os erros. Longe de
sermos perfeitos, termos fórmulas mágicas, modelos
prontos, temos nossos desejos os quais superam nossas omissões.
Desejamos, portanto, arriscar e que nossos erros se tornem acertos;
que cada crítica se torne futuros elogios.”
“Aos
que chegam agora, se verificarem erros, não se prendam apenas
em uma ou outra palavra mal escrita ou formulada, fazendo assim uma
longa crítica ao texto como um todo, quando esta não
representa o contexto geral. Pense que antes de fazer um
furacão,
poderíamos ter brisa para nos refrescar e que esta ou aquela
palavra pode ser substituída por outra”.
Introdução
Durante
o monótono perpassar do tempo, uma
pequena ponta de pedra no coração do Brasil foi se
tornando um lugar de CONVERGÊNCIA E ASSOCIAÇÃO de
restos e pedaços de mato, capim, gravetos e materiais
orgânicos de toda sorte, que desciam pelo rio que esta
habitava, durante as enxurradas provocadas pela chuva. Este pequeno
ser “bruto”, tornou-se a 2ª maior ilha do mundo, e
1ª do Brasil, a ilha de Marajó e Bananal. Tirando como
exemplo desta ilha, o homem é capaz de um fazer-se humano onde
há possibilidades de um criação social e
histórica.
Este
estado de coisas só pode ser descoberto e observado após
a produção de vida nestes lugares. Anteriormente, este
lugar foi constituindo existência sem o conhecimento de
quaisquer seres viventes. Percebemos que existir não significa
viver. Domingo Passos
dizia que “a vida é resultado da ASSOCIAÇÃO
NATURAL das forças da natureza. A vida, enfim, não
existiria se esta associação não fosse uma
verdade”. Nosso
objetivo é propiciar a cultura, através de
produções
artísticas, isto é: teatro, da música, de
exposições, biblioteca, videoteca, audioteca e
associações com seus produtores e com grupos
discriminados, por exemplo, negros, prostitutas, camelôs,
meninas(os) de rua, anarquistas e os mais diferentes rótulos.
Devemos desmistificar estas palavras, defendendo os seus verdadeiros
significados. Preservando, contudo, a Liberdade, o fim da cultura do
consumo, do poder, do ódio, do dinheiro e coisas da mesma
laia. Por Liberdade pregamos não somente aquela “ortogada”
pela constituição, mas a liberdade de si e o
contentamento com a liberdade do outro.
Lugares
e movimentos existem em função destas inúmeras
ASSOCIAÇÕES AUTÔNOMAS entre os seres. O caso das
ilhas, como a do Marajó e Bananal, não é
diferente. Elas passaram a existir primeiro, sem nossa
percepção,
a partir da livre associação de diversos materiais
consolidados com sua vida efetiva entre diversos seres, tornaram-se
um lugar de produção de sentido, afetos, desejos e
vontades de estar no mundo e com o mundo.
A
Metrópole moderna nos oferece um leque de atividades mas, a
roda da fortuna nos oferece apenas um papel: o de espectador.
Respaldando a dicotomia instaurada entre TRABALHO e LAZER, ESCOLA e
VIDA, NATUREZA e CULTURA, imposta pela sociedade tecnológica e
industrial.
Pensamos
que não é hora de uma revolução de
dinamites, mas que usemos a cultura como arma, despertando alternativas
à globalização que devem vir pela base. Sem
dúvida, um dos nossos principais desafios é superar as
tendências agressivas, egoístas, o poder, o ciúme,
o espírito de concorrência, cuja sua raiz está na
sociedade do espetáculo, do consumo. Possibilitemo-nos
transcender outros níveis de consciência –o SONHO,
o DEVANEIO, o IMAGINÁRIO...
Neste
sentido, seguindo o apelo e o caminho trilhado por nossos desejos e
motivações coletivas de produzir outros movimentos de
Vida e fomentar o fluxo de nossas AÇÕES e DESEJOS
é
que construímos esta proposta de ocupAÇÃO de um
espaço existente que, condenado a este estado de coisa,
não
possui “vida”, não tendo movimento de fato, sem
vivência, sendo nem mesmo um lugar.
Desejamos
um lugar onde possamos exercitar a Autogestão e a
convivência
através do Apoio Mútuo, em que não haja
separação entre teoria e prática, meios e fins
e, ação de transformação. Para tanto,
temos que fincar as primeiras pedras e lutarmos para que estes
princípios sejam erguidos. O desafio é este: superar
esta sociedade falida:
Organização:
Federalismo e Autogestão
Nossa
organização basea-se no federalismo e autogestão.
No federalismo
pressupõe-se a descentralização
das decisões. É uma forma de organização
não hierarquizada, horizontal, baseada no Apoio Mútuo e
Livre Associação, respeitando a coletividade e a
individualidade. A autogestão é exercida com igualdade
de direito e participação de todas(os) as(os)
responsáveis. Portanto, todo Membro poderá se intitular
representante da pALCA, desde que fazendo as observâncias
à
estes princípios.
A Assembléia
Geral é a instância
máxima deliberativa da pALCA, seguida pelas Reuniões.
Estas são compostas por todos os Membros
da
pALCA e por convidados, que abster-se-ão das
deliberações.
Ambas têm por objetivo discutir atividades, eventos, oficinas, moções, adendos e
propostas
apresentadas por quaisquer de seus membros. As Reuniões
serão
um exercício cotidiano e não devem estar em
oposição
às deliberações da Assembléia Geral.
A
convocação para as Assembléias Gerais serão
feitas por um
grupo (nunca individualmente), através de
telefonemas, correio eletrônico, cartas, etc, divulgada com
antecedência mínima de 48 horas, discriminando e
fundamentando todos os assuntos a serem tratados, citando os nomes
dos convocantes. As convocações e
deliberações
das Reuniões seguem estes mesmos princípios.
A
Assembléia Geral deliberará preferencialmente por
consenso dos Membros, não sendo possível, por maioria
simples de voto. Murray Bookchin
já dizia: “Abortar a decisão de uma coleção
de indivíduos é sufocar a dialética das
idéias”.
Portanto, não podemos negar à dissidência, todas
oportunidades, sem prejuízo para ambas as partes, desde que os
próprios dissidentes provenham suas idéias.
O
quorum mínimo será de um número de Membros
produtivos e se iniciará depois de passados 30 (trinta)
minutos do horário previsto.
À
Assembléia Geral compete aprovar e reformular a presente
Carta, discutir e deliberar atividades, eventos, oficinas, moções,
adendos e propostas apresentadas por quaisquer de seus membros.
Os
Membros
São
Membros da pALCA todos os indivíduos fundadores, isto é,
aqueles participantes das reuniões de sua
fundação,
e os que posteriormente se associarem. Para
tornarem-se Membros, os interessados deverão participar de, no
mínimo, duas
Reuniões,
participar de algum Grupo de Afinidade e ser aprovados em
Reunião ou Assembléia;
São
direitos dos Membros: Participar de todas as atividades da pALCA;
sugerir projetos, oficinas, etc; ter direito a voz e decisões
na Assembléias Gerais e Reuniões; encaminhar
alterações
desta Carta à Assembléia Geral;
São
deveres dos Membros: conhecer e discutir as normas desta Carta com
coerência e conhecimento; manter a luta incessante pelo
fortalecimento da pALCA. Estar a par das atividades desenvolvidas
pela diretoria executiva.
Grupos
de Afinidades
Os
Grupos ou Núcleos de Afinidades têm por objetivo
descentralizar decisões especificas de cada atividades. Cada
Grupo terá a sua Coordenação rotativa de 2
(dois) meses, no mínimo, não passando mais de 1 (um)
ano.
À
princípio os seguintes Grupos serão formados:
Artesanato (extenso e Silk Screen), Teatro, Vídeo, Eventos
Culturais (shows), Literatura e Esperanto.
Cada
Grupo receberá uma cota de material de acordo com as
necessidades e disponibilidades. Também ficará
responsável pela venda de uma cota de material para a
manutenção do espaço.
Toda
aquisição (em dinheiro ou outra espécie) feita
por algum Grupo cuja pALCA estiver respaldando, deverá
repassar uma cota (10%?) para a manutenção do
Espaço
ocupado, observando a cota de material já vendida por este.
Coordenação
Geral e Transitória
Seguindo
o princípio do Federalismo e Autogestão, a
Coordenação
deve ser escolhida em Assembléia ou Reunião para
executar as atividades correntes. Devemos prezar ao máximo a
voluntariedade e rotatividade. Esta deve durar apenas o período
de determinada atividade. Na Coordenação Geral
deverá
ter, de preferência, um representante de cada Grupo. A
tesouraria deve ter rotatividade de 2 meses, e deve ser um Membro o
mais acessível possível. Cada Membro da
Coordenação
Geral pode e deve ficar responsável por uma
atividade/responsabilidade, tais como: pagar contas de água,
imprimir/redigir documentos, etc.
Disposições
Gerais e Transitórias
A
presente Carta somente poderá ser modificado em
Assembléia
Geral convocada para este fim.
A
pALCA será preferencialmente um espaço ocupado sem fins
de moradia, entretanto, para manter, resistir e dar segurança
ao local, haverá, transitoriemente, moradores definidos em
Assembléia Geral. O período de transitorieridade
será
definido em Assembléia Geral, assim que passado o período
crítico da ocupação.
Como
infrações consideramos tudo aquilo que venha a
comprometer o Coletivo. À elas, ao invés das
punições,
sanções, expulsões, etc, tanto apregoadas nas
mentes estalinistas, preconizamos uma reeducação do
infrator.
Em
algum lugar da Grande Vitória, julho de 2004.
"Organização,
longe de criar a autoridade, é a única cura para esse
mal, e o único meio pelo qual cada um de nós se habitua
a tomar uma parte consciente e ativa no trabalho coletivo, e deixa de
ser instrumento passivo nas mãos de dirigentes."
Érico
Malatesta
Grupos
Fundadores
|
Nome
do Grupo
|
Cidade
|
|
Centro Acadêmico de Artes (UFES)
|
Vitória
|
|
Casa da Mulher
|
Vila
Velha
|
|
MNLM (Movimento Nacional de Luta
pela Moradia)
|
Vitória/V.Velha
|
|
Grupo Motim de Teatro
|
Cariacia
|
|
CEMEARTE
|
Cariacia
|
|
Banda RHC
|
Cariacia
|
|
Banda Dislexo
|
Aracruz
|
|
 |